18 de Março de 2008
Terceira Idade em Balneário Camboriú
25.09.2007 às 16:36h

A Secretaria da Mulher, Criança, Adolescente, Idoso, Trabalho e Desenvolvimento Comunitário realizou no período de outubro de 2006 a março de 2007 um levantamento quantitativo e o mapeamento de situações de vulnerabilidade do idoso em Balneário Camboriú. A pesquisa tem como objetivo principal definir uma linha de ação visando desenvolver estruturas de atenção primária, secundária e terciária ao idoso.
O crescimento veloz no número de idosos e o processo de envelhecimento populacional rápido e intenso, não só em Balneário Camboriú, mas em todo o Brasil, vêm exigindo mudanças na área social. A partir desta perspectiva global e pelo fluxo constante de migração de idosos para a cidade, a Secretaria da Mulher, Criança, Adolescente Idoso, Trabalho e Desenvolvimento Comunitário realizou esta pesquisa que avalia como vive o idoso nas condições físicas, econômicas e sociais. Para a aplicação dos questionários, foi contado com o apoio da Secretaria da Saúde e Saneamento, através do Programa Saúde da Família (PSF).
Em Balneário Camboriú estima-se uma população de mais de 8,6 mil pessoas com 60 anos ou mais, dado da Secretaria Municipal de Saúde a partir da cobertura vacinal de 2007. A pesquisa foi aplicada para 2039 idosos, o que corresponde a 61%, dos 3.347 idosos, cadastrados junto às unidade de saúde dos bairros dos Estados, Nações (México e Suíça), Barra, Municípios, Vila Real e Nova Esperança.
A pesquisa mostra indicadores do perfil físico, econômico e social da terceira idade como: habitação, trabalho e aposentadoria, problemas de saúde, uso de medicamentos, autonomia nas atividades de vida diária, participação social em grupos; carteira de acesso aos coletivos urbanos (passe-livre) e necessidade de auxilio social. Revela, também, que existem idosos excluídos, isolados e que necessitam de um resgate social.
A partir destes dados, a meta é estabelecer políticas sociais adequadas à realidade da população idosa para atendê-los quanto às necessidades assistenciais. Quanto às emergenciais, os idosos são atendidos através do plantão social com os auxílios alimentação, óculos e fralda. Também novas ações já foram implementadas para gerar maior qualidade de vida na Terceira Idade.
O plano de ações, a médio e longo prazos, que envolvem a formação de um grupo de estudos, curso de Cuidador de Idoso, grupos sociais de atendimento, Oficina da Memória, projeto Viver Bem a Idade que se tem – parceira SESC, projeto Ciranda – atividades intergeracionais, conferência do idoso, cartilha dos direitos do idoso, programa de defesa do idoso, programa Empresa Amiga do Idoso, projeto aprender ensinando, projeto construir e habilitação ao certificado de qualidade ‘Cidade Amiga da Terceira Idade\'.
Aspectos econômicos
Habitação
Ter moradia própria constitui um dos aspectos centrais da condição de vida e bem-estar dos idosos. No grupo pesquisado, 85% dos idosos referiram ter moradia própria, enquanto 4% residem em imóveis alugados e 11% em casas cedidas geralmente por parentes. Na análise do perfil, a predominância do imóvel próprio é ainda maior (85%), o que resulta de condições mais favoráveis de financiamento habitacional em épocas passadas. O saneamento básico foi apontado como disponível e adequado pelos entrevistados, em sua maioria moradores de bairros providos de infra-estrutura urbana básica.
Trabalho e Recursos Econômicos
A situação previdenciária mostra que 1.363 idosos, (67%) conseguiram se aposentar. Boa parte dos idosos, são chefes de família e nessas famílias a renda média é superior àquelas chefiadas por adultos não-idosos. Alguns idosos chefes de família vivem com os seus filhos e os sustentam. O percentual de idoso não aposentado é 33%, mas destes 20% é pensionista. Dos idosos que relataram não possuir renda fixa, cerca de 5% referiram receber algum tipo de ajuda financeira basicamente de familiares. Do total de não aposentados, 41% não revelou como se mantêm financeiramente. Aproximadamente 20% dos idosos ainda exercem atividade remunerada no momento, sobretudo no mercado informal. As atividades mais comuns são ligadas à tarefas domésticas, tais como: costurar, fazer trabalhos manuais, passar roupas, fazer doces ou salgados, entre outras.
Aspectos Saúde Física
O resultado da avaliação reflete a capacidade ou não para o auto cuidado básico, ou seja, com base nesses dados, pode-se estabelecer o grau de autonomia e independência do idoso para a execução de atividades básicas, fundamentais no suprimento de suas necessidades.
Os resultados obtidos no estudo revelam que a maioria dos idosos entrevistados (90%) possuem independência total para execução das atividades de vida diária. Dentro dos 10% restantes existem situações diversas de dependência parcial para execução de atividades complexas, sair para longas distâncias, tomar ônibus, subir escadas, sair para perto de casa, tomar remédios, usar o banheiro, caminhar em superfície plana e tomar banho. Ocorrem também situações de dependência total para execução de atividades simples, como vestir-se, deitar-se e levantar-se da cama e, alimentar-se sozinho.
Problemas Afetando a Saúde
A grande maioria dos idosos (90%) referiu ter problemas de saúde destacando-se a hipertensão arterial (55%), diabetes (12%), problemas cardíacos(5%), AVC (5%), Mal de Alzhaimer (1%), Mal de Parkinson(1%), Distúrbio Mental(1%).
Uso de Medicamentos
Cerca de 63% dos idosos entrevistados referiram estar usando regularmente um ou mais tipos de medicação.
Auxílios em Cuidados – Cuidador
Questionados sobre o apoio de um cuidador, 72% referem que não possuem este tipo de auxílio. Apesar desse expressivo percentual, chama a atenção o fato de que cerca de 28% recebe apoio de cuidadores. Dentre os cuidadores a grande maioria cita filhos, primos ou algum outro parente cosangüíneo.
Aspectos Sociais
Participação em grupos/atividades no tempo livre
As atividades realizadas fora do lar, mais freqüentes são: sair para encontros sociais, visitar parentes e amigos, ir à igreja e a passeios e excursões. A inserção em trabalho comunitário por idosos caracteriza-se majoritariamente por ações assistenciais ligadas a obras religiosas e/ou beneficentes. Um percentual de 83% não participa de grupos sociais, mas responde afirmativamente quando questionado sobre o interesse em desenvolver trabalho comunitário.
Necessidade de Auxilio Social
Frente às necessidades de auxilio social levantadas no grupo encontramos 9% do grupo pesquisado como possuindo necessidades emergentes, enquanto que 91% possui condições de vida sem auxílio. Listando os tipos de auxílio, o que mais se destaca é o de alimentação, 52%, fralda geriátrica obtendo um percentual de 16% e cadeiras de roda , 10% . Também chamou a atenção a necessidades de auxilio psicossocial (22%) como: maior interação social para idosos com problemas de depressão, isolamento social, preconceito das pessoas com quem convivem pela situação idosa de maior fragilidade física e mental, dificuldades de socialização, problemas familiares como uso de álcool e drogas pelos familiares com quem convivem, situação de moradia comprometedora e maus tratos.
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