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Com investimentos previstos em torno de R$ 500 milhões, entre obras públicas e da iniciativa privada, o município de Balneário Camboriú cada vez mais se assemelha ao pequeno principado de Mônaco, ao sul da França. Os pontos em comum são inúmeros: desde o pequeno território à economia movida pelo turismo de luxo e construção civil.
O alto padrão de vida também aproxima as duas regiões. Um dos metros quadrados mais caros do Sul do Brasil localiza-se justamente em Balneário Camboriú, na Avenida Atlântica, uma espécie de Côte d\\\'Azur brasileira.
Com 46,4 quilômetros quadrados e pouco mais de 95 mil habitantes, Balneário, como é carinhosamente conhecido, tem recebido atenção especial do restante do país. A área total do município equivale a apenas 0,05% dos 95 mil quilômetros quadrados do território catarinense. Parte disso é resultado da divulgação do município não só dentro do Brasil, mas também em eventos internacionais. Argentinos, paraguaios e uruguaios descobriram a cidade há mais de 10 anos, e, agora, são os europeus que decidem passar as férias mais ao norte da Capital catarinense. Para atender a evolução da cidade, que só em número de veículos cresce a uma média de 12% ao ano, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), enquanto em todo o Estado este incremento é de 8%, a prefeitura tem recorrido ao governo federal para colocar em prática alguns projetos.
Um deles é o alargamento da faixa de areia da praia central, um investimento de R$ 40 milhões e que tem previsão para começo dos trabalhos em abril de 2008. Serão 135 metros desde o muro que divide a praia até o mar. Outro projeto é um anel viário, orçado em R$ 43 milhões, que inicia na BR- 101 e termina na Estrada da Rainha.
A estrada, primeira parte do programa, foi concluída em 2003, afirma o prefeito Rubens Spernau. A questão viária é uma das que mais preocupam a prefeitura e também quem mora em Balneário Camboriú. A idéia é que mais ruas sejam criadas, mas, para isso, são necessárias licenças ambientais e um estudo apurado do tema.
- Não podemos impedir que as pessoas invistam aqui, mas precisamos pensar no futuro - aponta Spernau.
O empresário Nivaldo Pinheiro, diretor da Procave, começou a investir em Balneário Camboriú na década de 1980, época em que também iniciou o boom imobiliário no município. Em 2001, incentivado pelo retorno dos investimentos feitos no Litoral, vendeu a sede da empresa em Blumenau para fixar-se somente em Balneário.
Ainda há espaço para investir mais 15 anos, diz empresário
Pinheiro acredita que, mesmo com a redução do espaço físico, ainda há espaço para pelo menos mais 15 anos de crescimento, se o uso das áreas livres for feito regularmente.
- Balneário consegue conciliar um clima de praia com infra-estrutura e alto padrão, por isso tem atraído público que a médio ou longo prazo quer morar aqui.
Ele observa que nesses mais de 20 anos o perfil de quem procura a região mudou. Os clientes que queriam apenas um apartamento de praia, com qualidade inferior e espaço menor, hoje preferem algo mais requintado, com melhor qualidade. O último projeto da incorporadora, um edifício com três torres e 65 mil metros quadrados de área total, onde cada apartamento custará mais de R$ 1 milhão, já está com metade dos apartamentos vendidos, isso com menos da metade da obra concluída.
Tantos investimentos atraíram a atenção do setor acadêmico. Entre os anos de 2005 e 2006, a arquiteta Isabel Cristina Maus pesquisou sobre o setor hoteleiro na praia central, através de uma bolsa. Entre as conclusões da então estudante, uma delas chamou atenção: em uma cidade tão cosmopolita, não há um hotel de bandeira internacional. Quase todos os que existem são comandados por famílias.
- Existe um mercado fechado, mas não nos foi explicado o motivo.
Na época da pesquisa, havia 110 hotéis na praia central, que ofereciam 20 mil leitos. Hoje, diz Isabel, esse número é bem maior.
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